UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL
Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa.

 

 

Por Anna Salustiano

 

 

Biblioteca de Camões

Uma das mais bonitas que já vi nestas terras de cá, é a que recebe o nome do autor do poema: “Os Lusíadas”, do maior representante do Classicismo Português, Luís de Camões. Localizado bem no centro de Lisboa, no Largo do Calhariz, 17, o prédio poderia passar despercebido em meio aos outros se não carregasse consigo um banner discreto em que diz: Bem vindo a Biblioteca Camões. Descobrir. Ilustrar. Emergir. Navegar. E Ler.

Logo na entrada, vemos na parede uma composição de azulejos azul e branco representando a fé e a devoção do clero, da nobreza, numa clara propagação do Cristianismo como religião “instituída” e propagada como oficial.

Em seguida, do lado esquerdo, deparamo-nos com as escadas para ter acesso ao primeiro andar. É lá que estão os livros, revistas, computadores, CDs e DVDs em algumas arcas antigas e estantes mais modernas num misto entre passado e presente, conhecimento e futuro.

Estar ali, é como se o corpo e a cabeça buscasse apenas saciar a constante busca pelo saber, em que a vontade de admirar e manusear aqueles livros, com as páginas bem amareladas, de alguma maneira, satisfizesse o nosso propósito, diante de algo que por si só tem uma grandeza difícil de explicar.

Todas às vezes que entro na Biblioteca Camões, a sensação é de estar em locais diversos quando percorro os corredores e as salas de leitura. O cuidado em não fazer barulho ao andar no piso de madeira, revela que o espaço está sempre cheio, e que as pessoas necessitam de silêncio para realizar aquilo que fazem, na maioria das vezes, na apreciação de livros, nos textos digitados nos notebooks, na cabeça baixa (no cochilo, ou no descanso) para recomeçar a desfrutar das inúmeras obras disponíveis no local, que vão desde Artes, Arquitetura, Comunicação, Religião, Filosofia, Psicologia, Cinema, entre outras.

A Biblioteca conta também com serviço de empréstimo. Basta o leitor apresentar título de residência português, declaração da junta de freguesia e solicitar seu cartão. De posse desse cartão, o cidadão português ou estrangeiro que cá vive, pode retirar livro e em qualquer biblioteca municipal e passar 15 dias com as obras, podendo renovar depois do término do período. Todo o serviço é feito gratuitamente.

Horário de funcionamento:
de terça a sexta, das 10h30 às 18h

Encerra:
domingos, feriados, sábados e segundas e na última 4ª feira de cada mês (das 10h30 às 14h).

Morada:
Biblioteca Camões
Largo do Calhariz, 17 – 1º Esq.
1200-086 Lisboa
(Freguesia da Misericórdia)

Contactos:
Tel.: 218 172 360
E-mail geral: bib.camoes@cm-lisboa.pt
E-mail serviço de empréstimo: bib.camoes.emp@cm-lisboa.pt
E-mail serviço de referência: bib.camoes.ref@cm-lisboa.pt
E-mail espaço infanto-juvenil: bib.camoes.infantil@cm-lisboa.pt

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

 

Parceria: https://o-tuga.com/
UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL
Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa

 

Por Anna Salustiano

 

Mosteiro dos Jerónimos acalma e sossega o olhar

O encantamento começa quando de longe avistamos partes daquela construção imponente. A contemplação do Mosteiro dos Jerónimos que é considerado por muitos como a joia da arquitetura manuelina, se dá quando chegamos em Belém, lugar conhecido também pelos famosos e deliciosos pasteis.

O Mosteiro integra elementos do gótico e do renascimento, e associa-se ainda a uma simbologia naturalista que deixa os nossos olhares mais deslumbrados. É como se aquele prédio representasse simbolicamente a ideia de uma nação e o que de fato representa, por estar ligado a conceitos como Descobrimento e por estar localizado geograficamente em uma entrada do porto, em uma das entradas de Portugal.

A construção do prédio que começou em 1501 e só ficou pronto, um século depois, tem uma fachada com mais de 300 metros e obedece uma horizontalidade que acalma, descansa, segundo os arquitetos, a nossa vista. Para o Mosteiro, Dom Manuel I canalizava grandes somas, como por exemplo, 5% das receitas do comércio com a África e o Oriente, o equivalente a 70kg de ouro por ano.

Para ocupar esse prédio, que aos olhos do monarca, era mais que bem quisto, foram escolhidos os monges da Ordem de São Jerónimo que teriam como funções rezar pela alma do rei e prestar assistência espiritual aos navegadores que dali bem pertinho, da praia do Restelo partiam para colonizar outros mundos.

O tempo foi passando e em 1833, foi decretada a extinção das ordens religiosas em Portugal. A comunidade dos monges foi extinta e eles tiveram que desocupar o lugar que permaneceram durante quase quatro séculos. O Mosteiro dos Jerónimos foi integrado como um dos bens do Estado e o espaço funcionou como colégio até 1940. Hoje, é difícil ir em

Belém e não ver uma fila para entrar no Mosteiro que sossega o nosso olhar e nos traz uma paz danada. 

 

Para visitar o Mosteiro dos Jerónimos paga-se 10€. Quem for cidadão residente (é exigida a documentação), todos os domingos e feriados, das 10h às 14h, a entrada é livre. 

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

 

Parceria: https://o-tuga.com/
UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL
Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa

 

Por Anna Salustiano

 

Os Carmelitas no Mundo Português é tema da exposição que está na Biblioteca Nacional

Foi a primeira exposição escura que vi em Portugal. Do lado de fora, um aviso na porta dizendo aberta, mas não se via movimento de ninguém, nem luzes no interior do espaço. Ao olhar aquilo, foi que fiquei mais curiosa e aproximei-me para encostar no vidro e tentar ver alguma coisa. Ao lado da porta de entrada um enorme cartaz da exposição com o tema:  Os Carmelitas no Mundo Português. E entrei.

Ao abrir a porta uma luz se acende e nos deparamos com réplicas de roupas, imagens, textos sacros e objetos utilizados pelos carmelitas.

É no final do século XII, no Monte Carmelo, entre os anos de 1189-1192, quando a monarquia portuguesa acabava de se afirmar, que se consolida a Ordem do Carmo ou Ordem dos Carmelitas.

Insatisfeitos com a insegurança crescente, resolvem refugiar-se nas regiões de origem no ocidente. Os antigos eremitas, agora, adaptam-se ao modelo nascente das ordens mendicantes, vistas nos centros das cidades, além de conjugar a vida apostólica com a vida contemplativa.

Quando a reforma protestante do século XVI respinga sobre as ordens religiosas, os Carmelitas se dividirão em duas ordens, sendo o movimento encabeçado por: Teresa de Jesus e João da Cruz que conduziram a separação dos reformados, consagrada pela bula de Clemente VII.

Logo em seguida, em 1581, os Carmelitas fundaram o Convento São Filipe, em Lisboa e espalharam-se por todo reino, criando casas da Reforma: 23 masculinas e 10 femininas.

O final do século XVI trouxe também a marca do ciclo missionário e no Brasil foram criados os conventos de Olinda, em 1583, de São Salvador da Baía, em 1586, entre outros.

Em Portugal, os carmelitas começaram a aparecer com a crescente importância das Ordens Terceiras, ou Confrarias do Carmo.

Esses e outros itinerários de sete séculos do Carmo pelo mundo estão presentes na exposição: Os Carmelitas no Mundo Português, que pode ser vista na Biblioteca Nacional de Portugal até o dia 18 de novembro. A entrada é gratuita.

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto reprodução: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

 

Parceria: https://o-tuga.com/
UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL
Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa

 

Por Anna Salustiano

 

Pôr do sol em Sesimbra

Parar um bocadinho no final da tarde e início da noite para ver os últimos dias de pôr do sol é de um valor inestimável. Últimos porque as temperaturas nestas terras portuguesas já começam a cair, dando indicativos que o inverno será frio, bem frio.

A imagem que compartilhamos é de Sesimbra, uma vila portuguesa que pertence a Setúbal, pra quem reside em Lisboa, é do outro lado da ponte.

Lá, o morador ou turista encontra a praia da Ribeira do Cavalo, o Parque Natural da Arrábida, por exemplo, ou ainda o Castelo de Sesimbra. O deixar-se contemplar com a paisagem, o vento, a natureza, e o que o universo oferece nos possibilita que a mágica da existência adquira um sentido maior do que o é naturalmente. Estarmos imersos naquele cenário nos remete a tanto, e inevitavelmente um filme passa-nos no juízo. A arquitetura de prédios centenários com tantas histórias que ficaram ali dentro ou ultrapassaram os muros que ainda sobrevivem como se quisessem nos contar sobre algo, faz com que a gente alimente algum sentimento, mesmo sem ter vivido no período específico. O passar entre aquelas construções para olhar o pôr do sol, que fica atrás da igreja e logo depois de um pátio em que as  muralhas de um convento integram o cenário traz-nos algum tipo de refúgio, de lembranças de uma época que não vivemos. Ao passar por tudo aquilo, vemos em seguida, pessoas sentadas após um fio, para admirar aquele círculo amarelo que se põe no horizonte laranja. No Brasil, o sol costuma ir embora por volta das 17h e pouquinho, aqui, em Portugal, na altura em que fomos a Sesimbra o sol se despedia depois das 19h, quase às 20h. Agora, por estarmos no outono, ele se despede por volta das 18h. A paz da luz solar naquele momento no término de mais um dia, trazia a renovação e a vontade de fazer com que o dia de amanhã, seja mais bem vivido que o de hoje. O pensamento com frequência, começa a habitar, e a ganhar maneiras concretas de executar projetos sólidos, com a luz do sol que na manhã seguinte, aparece novamente.

Localização – Sesimbra é sede de um município subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte por Almada e por Seixal, a nordeste por Barreiro, a leste por Setúbal e a sul e a oeste tem litoral no oceano Atlântico.

História – Existem vestígios da presença humana em Sesimbra desde o período do calcolítico (3000 a.C.). Na Idade do Ferro (VIII-II) foi habitada pelos cempsos  que estão na origem do nome da vila. Para conhecermos um pouquinho da mágica que rege o lugar, uma das melhores maneiras é mesmo ir até lá.

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto reprodução: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

 

Parceria: https://o-tuga.com/
UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL
Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa

 

 

Por Anna Salustiano

 

Cultura mexicana retratada através de máscaras 

O resultado dos inúmeros confrontos entre as culturas indígenas, europeias e africanas resultou num dos traços marcantes da identidade mexicana, a utilização de máscaras. Na exposição que recebeu como tema: Do Carnaval à Luta Livre. Máscaras e Devoções Mexicanas, o Museu de Lisboa recebeu até o dia 1 de outubro, mais de 250 máscaras elaboradas no século XX e XXI e feitas das mais variadas formas possíveis. Ao olhar para cada uma podemos observar o cuidado com que cada uma é feita; cuidado esse destinado exatamente para expressar características de festivais religiosos, outras, para serem usadas em protestos públicos, e outras, para luta livre.

O estar ali bem na frente daquelas máscaras remete a um imaginário festivo, não só no sentido literal da palavra, mas também na concretude de ver de maneira palpável o esconder de um rosto que pode deixar pistas de quem o esconde e porque o faz.

Fiquei fascinada pelo fato de nunca ter visto de frente aquelas imagens que traduziram tanto significado em algum período do tempo e que este tempo continua.

Quando a gente volta um pouco na história, lembramos da batalha entre mouros e cristãos que deu os primeiros passos no norte e sul da Espanha medieval  e essas batalhas foram apresentadas pela primeira vez no México, num lugar chamado Coatzacoalcos em 1524.                  Essas batalhas além de celebrar a vitória dos espanhóis sobre os mouros e a expulsão desses povos da Península Ibérica apresenta ainda, o triunfo do Cristianismo (visto, encarado como bem) sobre o paganismo (como se fosse o mal).

Por conta disso, foram inventadas performances como a danças da conquista, pluma, Tenochca, Archareos e outras, com intuito de reencenar a humilhação e reiterar a sujeição indígenas ao domínio espanhol.

Em algumas comunidades do Vale de Oaxaca e em Jalisco a história da dança, com as máscaras traz os indígenas como vencedores sobre o mal.

As cores, o fascínio e a riqueza de cada máscara levou meu inconsciente e espírito novamente ao México, como quando lá estive, corporalmente falando, em 2016.

O comissário da exposição é Anthony Shelton, antropólogo e colecionador de máscaras mexicanas, resultado do longo trabalho de campo em várias regiões do México.

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto reprodução: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

 

Parceria: https://o-tuga.com/
UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL
Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa

 

 

Por Anna Salustiano

Os encantos das aldeias portuguesas

Portugal consegue alimentar a dimensão de distintos lugares em um só. As aldeias que existem nestas terras, parecem ter vida deslocada da capital lisboeta e ao mesmo tempo agregada. É como se um não vivesse sem estar atrelada a ideia que move uma grande cidade, mas com o funcionamento típico dali. Nas aldeias, normalmente, tem algo bem próprio daquele local, em Azeitão, por exemplo, existe a torta típica de lá, que é deliciosa. A massa fina derrete-se na boca sem nenhum esforço. De formato arredondado e pequenininho, o pastel lembra o nosso bolo de rolo pernambucano/brasileiro. Só que o de cá, o recheio é com ovo, especialidade de inúmeros outros pratos (aqui se come ovo em tudo). Para além das comidas, Azeitão tem aquele clima gostoso de cidade de interior. As pessoas sentadas nas calçadas conversam até tarde, aqueles casarios em que remontam a fatos históricos dos séculos XVI, XVII que estão conservados e servem várias vezes de ponto turístico para que alguém se posicione na frente deles para alguma fotografia. O calçamento do lugar também faz com que lembremos daquelas ruas que víamos em livros de História. As praças com fontes e a natureza frequentemente presente, nos levam a estabelecer diálogos próprios em um constante exercício de aprofundamento do eu/espírito/existência.

Em um dos poucos restaurantes do lugar, que dia de semana está cheio, cativa-nos pela simplicidade e requinte de uma comida tipicamente regional (bacalhaus, saladas, vinhos, doces). O lugar cercado de verde, disponibiliza de algumas mesinhas dentro e fora do local o que nos aproxima ainda mais do universo típico de um interior (nos seus mais amplos sentidos). É gostoso sentir as particularidades dessas aldeias portuguesas e é como se o corpo respondesse a algo já vivido há muitos anos. Para quem acredita em outras vidas, pode ser que meu espírito tenha passado por essas ruas, aldeias ou lugares. Quem sabe?
A palavra Azeitão é utilizada para referir um conjunto de povoações que tem um peso turístico nas vilas Nogueira e Fresca.

Acobertada pela serra da Arrábida, o lugar conta com a presença humana há milénios, mas foi sobretudo a partir do século XV que Azeitão ganhou prestígio, com a instalação de famílias nobres.

Azeitão é uma freguesia portuguesa do Concelho de Setúbal, com pouco mais de 20 mil habitantes.

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto reprodução: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

 

Parceria: https://o-tuga.com/