Festival No Ar Coquetel Molotov resiste à crise e ocupa outros espaços

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Mesmo com a chamada crise financeira instalada no Brasil, e em especial no campo cultural, Festival mostrou nesta edição seu poder de inovação e criatividade, atraindo grande público nunca visto antes

 

Há cortes financeiros por todos os lados, em todos os segmentos da sociedade, investimentos quase zero. E a cultura, setor menos levado a sério no país, não poderia ficar de fora diante da atual gestão golpista. Por outro lado, somo um povo criativo e temos várias cartas embaixo da manga. Fazemos das tripas coração. E foi esse coração, feito do resto das tripas que sobraram que toda a equipe do Festival No Ar Coquetel Molotov chegou a sua 13ª edição surpreendendo a multidão de pessoas, cerca de 7 mil, que lotaram a Coudelaria Souza Leão, no último sábado (22), no bairro da Várzea, para conferir o evento.

As mais de 20 atrações se dividiram nos três palcos da casa (Palcos Aeso, Velvet e Sonic), com 12 horas de apresentações e discotecagens entre o intervalo de uma banda e outra. A festa também contou com intervenções artísticas e performances em tecido acrobático, área de alimentação com food trucks, além de uma Feira Cultural que reuniu: moda, design, taróloga, decoração, piercing, tatuagem e outras opções. E como não poderia faltar, o Som na Rural mais uma vez marcou presença no Festival e Roger de Renor apresentou seu projeto itinerante ao público.

Os ingressos nos locais de compra presencial e pela internet se esgotaram este ano, restando às pessoas que resolveram ir de última hora adquirir com os cambistas. Os nomes mais comentados e aguardados no Coquetel foram: Céu (SP), BaianaSystem (BA), Karol Conká (PR), Boogarins (GO), Jaloo (PA) e Baleia (RJ), fora outras bandas que tocaram nos palcos Aeso e Sonic.

Dentre as muitas novidades que o Coquetel Molotov sempre apresenta anualmente, a edição deste ano atraiu caravanas vindas de outros estados do Nordeste e também muita gente do Recife que ainda não havia vindo ao Festival. “O lugar é impressionante lindo. O serviço é muito rápido e acredito que este espaço poderia ser melhor usado para outros eventos no Recife”, foi o que declarou o estudante de arquitetura, Manoel Davi, que veio numa caravana de João Pessoa e pela primeira vez ao Coquetel. Outro que teve sua estreia no Festival foi tatuador e artista visual recifense Raone Ferreira, “O espaço é muito foda e como já conhecia o local de outra ocasião, resolvi vim conferir o Coquetel Molotov”, afirmou.

A cada apresentação o público vinha ao delírio, mas o ponto máximo da noite, segundo a platéia, foi a apresentação da cantora, compositora e rapper paranaense Karol ConKá, que levantou e agitou a galera com seus hits e mensagem de empoderamento às lutas e causas femininas. Em determinado momento de seu show, as integrantes do Coletivo Feminista Vaca Profana subiram ao palco e com os seios à mostra, cantaram e dançaram uma das músicas da artista. Em conversa com Karol, ela fez uma revelação e fez elogios ao fim da apresentação, “Fiquei tão empolgada que acabei cantando uma música inédita aqui. A galera daqui é sempre fervorosa, agitam mesmo, julgam menos”, disse a artista, que também sairá em turnê de trabalho para divulgação do seu novo CD “Ambulante”.

 

O outro lado da história

 Porém, nem tudo foram flores no evento No Ar Coquetel Molotov. O fato de todos os ingressos terem sido vendidos, o público triplicou se comparado aos anos anteriores e a organização do evento não pensou em situações que pudessem acontecer, e de fato aconteceram.

“Muita gente reclamou da falta de banheiros químicos para mulher, pois haviam 12 para homens e apenas 4 destinados ao  público feminino. Uma única unidade de UTI móvel, com uma equipe de socorristas estava no evento, poucos seguranças circulando pelas dependências do lugar e sem falar nas longas filas que ser formavam para tudo”, revelou a estudante Aline Ferreira.

Os profissionais de imprensa que foram ao local cobrir o evento não puderam ter acesso a alguns locais, nem aos artistas que se apresentaram, salvo os cantores (as) que circulavam pelo corredor na área reservada a imprensa que paravam para uma foto ou declaração do Festival.

Reportagem: Ernandes Tavares/Especial para AgênciaJCMazella

Fotos: Beto Figueroa/divulgação do festival

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