MANÉ GOSTOSO, O CRIADOR INJUSTIÇADO

O brinquedo que nos leva aos momentos mais lindo da infância, o nosso fotografo Veetmano Prem recebeu uma pauta sobre um brinquedo artesanal Roi Roi, e necontrou outro que fez parte du sua infância o Mané Gostoso, publicamos um vídeo mostrando a brincadeira coisa impensável hoje para essa geração de crianças do século XXl. Bom, pesquisamos e vamos publicar uma monografia de estudantes bastante interessando que faz justiça ao autor deste arte.

Otávio José da Silva, criador do famoso boneco feito em madeira: Mané Gostoso. Foto: Geyse Anne

 

Esta monografia traz uma abordagem histórica da vida e da obra do senhor Otávio José da Silva, criador do famoso boneco feito em madeira: Mané Gostoso.

Este trabalho monográfico conta a história do famoso boneco de madeira Mané Gostoso, e de seu criador, o Sr. Otávio José da Silva. Nascido no interior de Camocim de São Félix, hoje com 82 anos, aposentado, continua lutando pelo reconhecimento de seu trabalho que por muito tempo encantou a infância de muitas crianças caruaruenses e de cidades circunvizinhas. Diante de fatos que consideramos lastimáveis pelo desrespeito ao artista popular em nossa região procuramos resgatar essa história e trazê-la ao conhecimento da população caruaruense, e também da academia a existência dessa figura humana que tanto abrilhantou a nossa cultura material, através de sua arte, principalmente pelo brinquedo Mané Gostoso, e que como criador permanece no quase anonimato. Como estratégias para tentar alcançar os nossos objetivos utilizamos algumas literaturas específicas, para nos ajudar nas questões teóricas, mas o forte do trabalho está baseado na fonte oral, cujo conteúdo foi dado pelo próprio Sr. Otávio, através de entrevistas feitas em conversas livres, onde utilizamos somente um roteiro principal, que correspondia ao objetivo principal: aproveitar da ansiedade e do desejo dele em contar sua história, pois o que ele sonha é ser reconhecido. Dividimos o trabalho em três (03) capítulos para não somente contar a “saga” do Sr. Otávio, mas tratar de questões teórico-metodológicas, alguns conceitos sobre arte e artesanato, mostrando a importância da criação dele e, procuramos também denunciar a falta de uma política pública específica para a valorização da cultura produzida por artistas de nossa região.

Foto: Geyse Anne

 

Trata-se de um artista que, quando pequeno, brincava de fazer figuras moldando argila e, depois, a partir de pequenos pedaços de madeira, criou obras peculiares, ainda criança. Nascido na zona rural do município de Camocim de São Félix, localizada no Agreste pernambuco. Residiu naquela cidade até seus 16 anos, quando teve que migrar para Caruaru a procura de emprego para melhorar a renda de sua família, que era tipicamente grande composta por seus pais e mais 12 irmãos.

Considerando como uma grande injustiça o anonimato desse artista, depois de tantos anos, nos motivou a trabalhar este tema, na tentativa de colaborar na divulgação e preencher esta lacuna para o conhecimento, de início para o meio acadêmico e sonhar que este possa sensibilizar as autoridades para reconhecer e até registrar o Sr. Otávio como o criador do brinquedo em foco.

Brinquedo vendido no mercado São José no Recife.
Foto: Veetmano Prem

Quando eu nasci aí pai olhou eu assim e disse: esse é diferente dos outros. Mas por que eu era diferente dos outros? Porque fora eu já tinha nascido seis irmãos. Eu fui o sétimo. Então eu era diferente dos que já tinha nascido… Aí a parteira pergunta por que cumpadre esse é diferente dos outros? Porque os outros nesce com os zói fechado. E esse nasceu com os zói grelado olhando pro telhado…

Diante da necessidade e da falta de oportunidades conforme já foi descrito, não apenas naquela época em que o senhor Otávio nasceu, mas que ainda persiste em algumas regiões do nosso país, logo cedo ele é iniciado ao mundo do trabalho. De início ajudando em pequenas tarefas domésticas ou na própria vida do campo, assumindo desde muito cedo em si, responsabilidades incompatíveis ao universo infantil comum.

A criação do Mané Gostoso

Ainda aos 10 anos de idade, o Senhor Otávio num desses momentos em que somente os dotados pela singularidade do talento são capazes de protagonizar algo inusitado inventa aquele que, mais que um brinquedo, viria alegrar a infância de crianças de todos os níveis sociais e nos mais diversos recantos do mundo, e se tornaria sua criação mais importante: o Mané-gostoso.

Janela da AgenciaJCMazella. Foto: Veetmano Prem

Bom ai quando eu completei 10 anos ai eu disse vou usar outro negócio. Eu usava casca de cunha… Aí furei outro buraco, botei duas linhas, ai quando eu fiz assim aquela rodinha fazia vul vul…(risos) eu achava era bonitinho. Ai eu fiz isso, ai fui mostrar ao meu pai. Eu fazia assim, aí quando eu fazia assim, aquela rodinha com dois buraquinhos puxando. Olha meu pai, como é bonitinho tá vendo?… Aí quando eu mostrei ao meu pai, vige Maria que meu pai ficou doidinho com aquele bonequinho! Aí pai ficava brincando com ele assim, mai como é tão gostoso, é gostosim de mais. Aí eu digo aí, o nome dele eu vou botar Mané gostoso!…

O brinquedo feito em madeira recebeu o nome de Mané Gostoso. Trata-se de uma tábua delgada, tipo compensado, cortada em forma humana, que fica suspenso entre duas varetas e preso por cordões semienrolados, que estão passando pelas mãos do boneco, como se fosse ele segurando a barra de um trapézio. (Vê foto 01 – na Introdução) O funcionamento é extremamente simples: você aperta as varetas no sentido de fora para dentro e os cordões puxa o boneco e este fica saltando de um lado para outro do trapézio.

Ainda que nesse momento o Senhor Otávio não fosse capaz de compreender a importância de sua criação como expressão artística, ele passa a inserir em suas obras, significados e sentimentos de um mundo próprio, que fora constituído pela sensibilidade de uma pessoa sonhadora, cuja arte se sobrepõe à realidade dos objetos, na medida suas peças deram novas formas e sentido ao mundo lúdico. Simples, bastante subjetivo, porém belo.

 

“Depois com o bocado de tempo que eu comecei entregando na feira… Aí eu comecei entregando na feira né? Aí os curioso pegava e levava e chegava lá ia caprichar pra fazer também. Aí foi quando entrou os piratas. Aí eles vendiam barato, os que ia comprar mais caro não queria, queria o mais barato. Até hoje o ligítimo, quem tem, tá guardando com privilégio pra não dá fim. Muita gente tem guardado essa lembrança. Faz muitos anos. Que há muito tempo que eu deixei…

Foto da janela da AgênciaJCMazella. Foto: Veetmano Prem

 

Pula Mané!

Pula dengoso!

Pula Mané!

Mané gostoso!

Mané gostoso é dois paus com um cordão.

Pula dengoso quando a gente aperta a mão.

Quem na lembrança não tem um Mané gostoso,

Nunca foi criança, nunca foi treloso.

O bisavô comprava pro vovô

E o vovô comprava pro meu pai

Também pra mim papai muito comprou

E pra meus filhos eu vou comprando mais

Pula Mané!

Pula dengoso!

Pula Mané!

Mané gostoso!

A música que recebeu o nome de “Mané Gostoso”, interpretada pelo cantor caruaruense Azulão.

O autor da monografia é Edilson Tavares Costa.
Possui graduação em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru (1995). Pos-graduação em História pela Faculdade de Formação de Professores de Belo Jarim (2012). Tem experiência na área de História, com ênfase em História.

Leia a Manografia completa neste link: http://monografias.brasilescola.uol.com.br/historia/mane-gostoso-sua-historia-seu-criador.htm

 

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