UM BOCADINHO DE VIVER EM PORTUGAL

Sou Anna Maria Salustiano, nascida na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE-Brasil, professora, aprendiz, estudante de Doutoramento, na Universidade Lusófona, em Lisboa.

 

 

Por Anna Salustiano

 

Feira da Ladra é do século XIII

Desde pequenininha ouvi dizer que sábado era o dia de irmos a feira. Quem é do interior, normalmente, costuma internalizar essas informações e vivênciá-las quando tem oportunidade. Aqui em Portugal, vez ou outra, vou à feira de rua aos sábados. E ali, é como se as origens voltassem com mais intensidade. A Feira da Ladra, em Lisboa é dessas que se encontram tudo, ou quase tudo.

A Feira da Ladra como é conhecida, tem registro do século XIII, do ano de 1272, e depois de andar um bocado até encontrar um lugar fixo, hoje, fica aos pés do Panteão Nacional, no Campo de Santa Clara, em um lugar ladeirado que só a vista já compensa o fato de estarmos ali. Lá, encontramos antiguidades, roupas, calçados, relógios, quadros, comidas, souvenirs, artesanatos e mais, muito mais. Parece não ter fim a quantidade de coisas que vemos dispostas, em sua maioria, no chão, para que as pessoas se abaixem e apreciem com mais detalhes a mercadoria. Pode-se ficar em pé também, mas é pouco provável que alguém se renda a vontade de acocorar e pegar naqueles objetos que inúmeras vezes carregam além do valor de mercado, o afetivo, porque são de segunda mão e já foram utilizados por uma ou mais pessoas.

Do que mais me chamou atenção, foi um senhor que passou cerca de 20 minutos negociando uma radiola, que o vendedor queria passar por 50 euros, mas o comprador só levava por 40. Nesse impasse, eu estava junto e me aproximei pra ver o que se passava, e no debate estabelecido entre os dois, argumentos fortes dos dois lados faziam-nos pensar, quem conseguirá, no final das contas convencer. E o comprador, acabou que conseguindo levar já na última frase, quando disse: “me diz lá só uma coisa? Há quanto tempo queres vender a radiola”? E o vendedor afirmou: “há exatos quatro meses”. Voltamos a palavra ao futuro dono e ele finaliza: “eh pá, eu estou a dar-te 40 euros e não queres? Eu vou embora”. Depois dessa, não houve demora, seu José pegou a radiola colocou numa sacola e entregou ao João, agora, o dono daquele objeto musical.

Em seguida, ainda troquei umas palavras com os dois, embaixo de um sol de no mínimo 35 graus, e resolvi com aquela cena e com a lembranças, da época que eu morava em Limoeiro, no interior de Pernambuco, e ia aos sábado pra feira com mainha, que já era hora de pegar o ônibus, ou melhor, o autocarro e ir pra casa.

Um pouquinho da história – no ano de 1552, surge a primeira informação da feira no Rossio e em 1610 aparece a denominação, Feira da Ladra, num escrito oficial e desde o ano de 1882 que funciona no Campo de Santa Clara.

A feira da Ladra acontece terças e sábados, manhã e tarde.

 

Texto : Anna Salustino/Especial para AgênciaJCMazella

Foto reprodução: Anna Salustiano/Especial para AgênciaJCMazella

Parceria: https://o-tuga.com/

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